quinta-feira, 22 de abril de 2010

O design está em tudo

O que podemos considerar design, afinal de contas?

“Historicamente, nós nos acostumamos a associar design a tudo aquilo que tem uma forma geométrica e pouca variação de cor. Na verdade, existem lugares na Europa, por exemplo, em que o design está ligado ao artesanato, à perpetuação das técnicas rudimentares”, diz João de Souza Leite, professor da Esdi (Escola Superior de Desenho Industrial) e da PUC-RJ. “Por isso, considero design o ato de projetar e tudo aquilo que for objeto de um projeto.”

Isso quer dizer que tudo, absolutamente tudo estaria incluído nessa miscelânea – inclusive seu corte de cabelo (é por isso que alguns salões de cabeleireiros têm as palavras hair design estampadas no letreiro?), o formato da sua sobrancelha esculpida com capricho, e até mesmo o verdinho-claro da alface do sanduíche do McDonald’s, denominado food design.

O design pode parecer estar em tudo, mas nem tudo o que é design faz sucesso. Para funcionar, um design precisa ser único. Os produtos que, por meio da forma, função e significado, conseguem se diferenciar dos demais certamente vão atrair nossos olhos. É o caso, por exemplo, da inconfundível garrafinha de Coca-Cola. Ela apareceu em 1915, quando todas as garrafas de refrigerante eram rigorosamente iguais. Seu desenho ergonômico e sedutor ganhou pela diferença e virou marca registrada. O mesmo aconteceu com o frasco do perfume Chanel nº 5, um ícone no mundo da perfumaria – suas linhas retas e secas romperam um universo de frascos curvilíneos, característicos das formas femininas. “O ser humano anseia por individualização. Ninguém quer ser massa. Todo mundo quer garantir sua identidade pessoal, sua marca, sua diferença. E assim acontece também com os produtos que escolhemos ter em casa”, diz João de Souza Leite.

Há quem defenda, no entanto, que o diferente pelo diferente nada quer dizer. Nem o bonito pelo bonito, muito menos o funcional pelo funcional. Então qual seria o papel do design a partir de agora? “O design tem que favorecer as relações sociais, proporcionar momentos com os outros, cuidar da sociabilidade. Só assim ele ficará gravado na memória”, afirma Vera. Para ela, a graça da garrafa de Coca-Cola são as lembranças que ela evoca – normalmente envolvendo outras pessoas. Por isso tanto sucesso. Talvez então os designers, que já vêm controlando o que sentimos por meio de cores, formas, texturas, estejam diante de um novo desafio: provocar respostas emocionais mais profundas, cavar relacionamentos. Algo como criar guarda-chuvas bem grandes, prontos para oferecer uma carona em dias de tempestade.

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